sexta-feira, 12 de abril de 2013

Divagações 11

"Transbordava de amor, mas afogou-se buscando o ar.
 Morreu feliz".

Adaptado de autor desconhecido.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

A Odisséia dos Tomates


As aulas de quinta-feira eram terrivelmente chatas, mas mesmo assim minha irmã, de 10 anos de idade, insistiu muito para me acompanhar. O professor não tardou em começar a divagar sobre gêneros musicais e, tão logo terminou, já nos empurrou um documentário goela abaixo. Não havia passado nem 5min quando ela, morrendo de tédio, pediu que eu lhe contasse uma história.
O príncipe Tomate estava inconsolável na gôndola do sacolão por terem aprisionado a princesa na gaveta-masmorra do castelo geladeira, do outro lado do bairro dos gigantes. Sem saber como chegar até a princesa, o príncipe tomate apostou na sorte grande e saltou dentro da sacola do primeiro humano que passou ao lado dele.
Por ironia do destino, ou não, foi na sacola de nossa mãe onde ele caiu. Tão logo se pôs de pé, sentiu uma forte pancada de alguns tomates caindo sobre si. Ao recobrar a consciência reconheceu aqueles rostos vermelho arredondados: eram seus fiéis amigos e escudeiros, os tomateiros reais.
- O que estão fazendo aqui?, perguntou o príncipe.
- Não poderíamos deixá-lo resgatar sozinho a princesa tomatina – disse o mais gordo deles – afinal, esta terra de gigantes é muito perigosa.
- Não sei o que faria sem vocês, queridos amigos – disse o príncipe, tentando disfarçar o medo lancinante.
Os tomates esconderam-se no fundo da sacola e esperaram pacientemente a chegada em nossa casa para só então pensarem num plano de resgate.
A agonia era grande, mas mesmo assim fingiram-se de mortos enquanto eram todos lavados e posicionados lado a lado sobra a tábua de cortar carne. Alguns instantes depois era a vez da princesa tomatina ser lavada e posicionada ao lado deles.
O gigante-mor estava preparando o almoço da família quando a mãe chegou do sacolão e anunciou alegremente: “Teremos macarrão para o almoço de hoje!”, disse.
- O que faremos, meu príncipe? – perguntou um dos tomates.
Tarde demais! Todos foram colocados em água fervente para serem cozidos e feitos em molho.
- Nossa! Essa história me deu fome – disse minha irmã – vamos sair mais cedo pra comer algo antes de voltarmos para casa?
- Vamos nessa! Também estou com fome!
E fomos embora, felizes da vida, por finalmente deixarmos aquela aula chata para trás e por preenchermos nossos roncantes estômagos.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Casamento


Eu quero me casar. Talvez não no sentido literal da palavra, de papel passado, mas com certeza intento dividir a responsabilidade de administrar um lar com outra pessoa, afinal tudo o que tenho a conquistar na vida não terá o menor valor se não puder ser usufruído e compartilhado ao lado de quem amo. Só não o fiz ainda por não ter encontrado a pessoa certa.
Anos atrás um colega de trabalho perguntou o motivo de ainda não ter me casado, dado um ligeiro adianto de minha idade. Na ocasião ele tinha uns 20 e poucos anos e já estava casado há pelo menos 3, ou seja, deve ter se amarrado com uns 19 ou 20. Tudo bem, não o julgo, afinal casar cedo era meio que imposição da igreja que ele frequentava.
Voltando para o assunto, um amigo perguntou outro dia o que seria a “pessoa certa” e cogitou a possibilidade de ser um bocado difícil encontra-la dada minha pré-disposição para comentários ácidos.
Simples! A pessoa certa é alguém que valha a pena passar o resto dos meus dias ao seu lado, que me honre como marido, me permita o privilégio de ser pai de seus filhos e que me deixe todo arrepiado e de pau duro só de chegar perto. Quem me conhece sabe que gosto de conversar e para alguns assuntos sou um bocado radical, em outros nem tanto. 
Se a moça em questão não conseguir manter uma conversa interessante nem sustentar suas opiniões por menos de 5min não vale a pena continuar a prosa, consequentemente pode virar alvo de algum comentário ácido num piscar de olhos. O que, no final das contas, nem é uma perda significativa, pois, ao meu ver, inteligência é um afrodisíaco poderoso. A cabeça de baixo é escrava da de cima, e não o contrário.

sábado, 30 de março de 2013

Liberdade


A Constituição Federal (CF) me garante o direito da liberdade de expressão, desde que eu assuma os riscos de dizer/escrever o que ou sobre quem eu bem entender. Ao mesmo tempo em que tenho o direito assegurado ganho de brinde uma mordaça das redes sociais, onde, em tese, poderia publicar qualquer coisa (dentro do limite do bom senso).
Eu estava triste quando escrevi este post alguns dias atrás. Se publicasse isso no facebook, por exemplo, alguns perguntariam a razão. Claro, estão no direito, afinal eu quis compartilhar que a vida não faz sentido. Conhecido o motivo, alguns caçoariam dizendo que logo passará.
Se estivesse de mau humor e quisesse queimar hereges na fogueira ou cortar-lhes as cabeças e espetá-las em chuços em praça pública (e postasse isso nas redes sociais), possivelmente os mesmos que fizeram pouco caso do meu coração despedaçado diriam que sou radical demais.
Ou se acordasse possuído pelo Justiceiro e quisesse resolver à bala o que o Poder Judiciário, complacente ao extremo, não resolve, diriam que devo ter algum desvio de conduta ou que, novamente, sou radical.
Façam-me um favor, pelo direito que a CF me garante, deixem-me postar qualquer merda que estiver sentindo naquele momento, mesmo que pareçam devaneios desconexos numa primeira leitura (pq aquilo nada mais é do que uma tentativa de desabafo) e abstenham-se de fazer comentários toscos baseados numa linha de conduta psicológica que os irritantemente certinhos e metódicos seguiriam.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Vontades


Eu queria cozinhar para você, fazer aquele strogonoff que tanto me gabo. Mesmo não sendo o meu preferido, eu faria de carne apenas para ver seus olhinhos brilhando.
Eu queria ir a pé até o infinito e de volta apenas para tê-la caminhando ao meu lado, mesmo eu não sendo fã de malhar até derreter. Ou fazer a trilha da Pedra Grande, aquela que vc se empolgou toda com a possibilidade de conhecer.
Eu queria te levar à praia, à montanha, ao sul e à zona norte, só para vc conhecer cada cantinho de momentos que vivi e onde vivi.
Eu queria poder te abraçar e andar de mãos dadas na Paulista, lugar que vc tanto gosta, só pq o inverno está chegando e fazer isso acompanhado é legal.
Eu queria que vc fosse ao cinema assistir a um filme comigo, de braços dados, mesmo sabendo que vc é agitada demais para tanto, apenas para me sentir importante.
Eu queria que vc não falasse tanto, assim eu também poderia contar como foi o meu dia ou dizer que acho lindas suas “francesinhas”.
Eu queria que o simples fato de ir para a faculdade ainda tivesse o mesmo brilho, o mesmo incentivo, o de te ver e conversar banalidades gerais só para rir e desfrutar da sua companhia.
Eu queria continuar abrindo meu coração pra vc todas as noites e vê-la sorrir. Eu queria não sentir as pontadas no meu peito quando vc é sincera e diz claramente que o próximo da fila não sou eu.
Eu não quero mais. Vc foi um sonho lindo que eu sonhei.
E acordei.

sábado, 23 de março de 2013

Batismo de Fogo


A faculdade é obrigada, por lei, a realizar exercício de evacuação do prédio em caso de incêndio pelo menos uma vez por ano. O exercício deste ano foi na noite da última sexta-feira. Antes de prosseguir, digo de passagem que a Instituição só faz o que a lei a obriga, pois, ao contrário, sequer se preocuparia com o detalhe de salvar seus clientes, digo, alunos, com vida.
Se fosse numa situação real teríamos morrido todos queimados ou intoxicados, pois os funcionários da brigada de incêndio estavam de braços cruzados "olhando para o mundo", orientavam tudo errado (mandavam todos seguirem pelo corredor apertado que afunila próximo da entrada frontal do prédio enquanto outra saída lateral estava vazia e desobstruída), e os alunos que saíam na frente ficavam parados no estacionamento empacando a passagem de quem vinha atrás ao invés de saírem para a rua.
Esse tipo de exercício deve ser feito de surpresa para que tenha os efeitos desejados, mas sabíamos desde a sexta-feira passada (15/03) que o exercício seria realizado ontem (22/03).
Fui para a aula pq havia me esquecido deste detalhe. Alguns amigos/colegas mais espertos (ou não) sequer apareceram, pois sabiam que seria uma palhaçada. Concordo com eles sobre o circo, mas houve pelo menos um lado positivo disso tudo: estar lá me propiciou conhecer os pontos falhos para tentar contorna-los em caso de necessidade real ou, na pior das hipóteses, saber quem pisotear primeiro para sair de lá com vida. Se é para fazer, então que seja feito de maneira correta. Lamentável.