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domingo, 20 de março de 2011

Ignorância, um estilo de vida

Trabalhei como monitor naquele congresso na área de comunicação que a facu sediou e, por isso, ganhei uma sacola de pano daquelas campanhas de sustentabilidade e tudo mais, além de um livro. Quero dizer, não apenas eu ganhei esse kit, mas todos os que participaram do evento de alguma forma, seja como palestrante ou como simples monitor. Desde então tenho aberto mão das sacolas plásticas e usado a tal sacola qdo vou ao mercado para pequenas compras. A sacola é de uma cor creme, com o logotipo do evento em preto na lateral e alças de um tom laranja fluorescente que incomoda um pouco. Enfim, as tais alças são compridas demais para se usar como uma mala de mão, por exemplo, mas são ideais para pendurar no ombro, como se fosse uma bolsa.
Numa dessas idas ao mercado, bem próximo da minha casa, estava saindo e contornando o terminal que tem logo ao lado qdo um grupo de uns 4 ou 5 calçudos (infelizmente funcionários do tal mercado e em intervalo para “descanso”) jogou uma lata de refrigerante vazia em minha direção, provavelmente me confundindo por homossexual por causa da sacola no ombro. Para a sorte de ambos, tanto minha qto deles, a lata passou longe. Qual o problema de pendurar uma sacola de compras nos ombros? Como o mercado ficava bem perto de casa e estava sempre por lá resolvi deixar pra lá e fazer de conta que não era comigo, além de estar sozinho.
Anos antes, morando em Sampa e recém saído do colégio, continuava “zanzando” por aí com o blusão da escola justamente pq não parecia uniforme e sim um simples agasalho de Educação Física. Ele era predominantemente verde, mas tbm possuía as cores azul marinho e branco. A manga esquerda era toda verde, com uma faixa branca de uns 4 dedos de espessura que ia do ombro até o punho. Dentro dessa faixa branca havia escrito o nome da escola em azul. Estava no Metrô, sentado ao lado de uma porta, indo para não lembro onde e usando a tal blusa. No assento do outro lado da porta haviam 3 Corinthianos com uniformes da Gaviões e resolveram tentar arrumar encrenca por causa da cor do meu blusão. A miopia fanática deles os fez verem apenas as cores verde e branco (Palmeiras) e literalmente ignoraram o azul (que era “só” a cor da outra manga inteira). Minha estação chegou, desci, os ignorei e ficou por isso mesmo.
Pensei que fosse isolada em determinadas regiões ou segmentos, mas vi que a ignorância é uma constante maior do que eu imaginava.

terça-feira, 1 de março de 2011

Equação

Calçudo + Busão = Confusão.
Já falei aqui no blog sobre os tais calçudos e não fui preconceituoso ao descreve-los, conforme relato a seguir. O fato presenciado foi há alguns anos numa das linhas do biarticulado. Antes de contar o ocorrido, uma breve descrição do local: o “vermelhão” passa por um terminal e por outros 3 tubos antes de chegar ao último terminal da linha. Na ocasião eu estava voltando do vestiba da UFPR, que pra variar fui alocado lá na PQP. Mas enfim, estava eu bem susse no busão e encostado na porta 4 qdo ele parou no 1º terminal. Havia um monte de calçudos por lá correndo para todos os lados. Digam o que quiserem, mas parece que eles combinam de sair aos domingos pra “aprontar” (e no “aprontar” aqui está incluído tudo o que vcs quiserem e mais um pouco).
Continuando, entrou uma monte deles pelas 5 portas. O busão fechou as portas e continuou o percurso. Qdo chegou no 1º dos 3 tubos outra monte entrou pelas portas 2, 3 e 4 (detalhe que vários “furaram” a roleta ao entrarem pelas portas de desembarque). Não sei ao certo qual foi o estopim da confusão, mas qdo o ônibus chegou a esse tubo eles já estavam brigando, tanto é que vários deles entraram correndo pelas portas 3 e 4 e foram em direção à porta 5. Acho que um deles correu para a 5 para se proteger de apanhar dos outros.
Não consegui ver direito, mas parece que estavam alguns batendo nesse um, até que um deles fez algo com uma menina. Ao lado dela estava apenas o pai, um cara bombadão de uns 1.9m de altura, praticamente um armário. O cara gritou lá no fundo “Quero ver quem é que vai meter a mão na minha filha!” e veio socando um dos calçudos até a porta 4. Literalmente só dando soco na cara enquanto o piá recuava de costas e tentava se defender. Parece que foi cronometrado. O calçudo espancado e o grandalhão chegaram à porta 4 bem no momento em que o busão encostou no 2º tubo. O cara pegou o piá pelo colarinho e o atirou pela porta 4, por cima da roleta. Neste exato momento passava um outro piá, de uns 12 ou 13 anos, por trás do grandalhão. O cara apenas girou o tronco, pegou o piá pelo queixo com uma das mãos e o atirou pra fora do ônibus. O piazinho meteu a cara na roleta e saiu girando por sobre ele mesmo. Depois disso o cara se acalmou e voltou para o fundo do ônibus, onde estava a filha.
Os calçudos meio que se acalmaram dentro do ônibus até chegarmos ao terminal que é o fim da linha e foi lá que vi uma das cenas mais lindas da vida: Um monte de viaturas da PM e da Guarda Civil fechando o terminal e um monte de calçudo enfileirado e sendo revistado, provavelmente estavam bagunçando no ônibus anterior ao que eu estava. Sério, eram uns 100 calçudos de perna aberta e com a mão na parede. Contando ao vivo é mais legal pq tem toda uma movimentação e uma tentativa de demonstração dos movimentos do “armário”, mas basicamente foi isso.
Lindo, divino, inesquecível.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Calçudos

Sem dúvida alguma, um dos pontos negativos da capital paranaense. Um “calçudo” é basicamente alguém (ou alguma “coisa”, dependendo do caso) que usa roupas enormes, com o triplo ou mais do tamanho que um cidadão usaria numa vestimenta comum adequada ao seu corpo, normalmente em tons rosa bebê e/ou azul céu e boné de aba reta no mesmo tom das roupas. As calças (ou bermudas), por sua vez, são grandes, largas e tão caídas que o fundilho fica na altura dos joelhos e a metade da bunda do fulano ficaria exposta se não fosse a cueca para cobri-la. Utilizam tênis que parece um transatlântico no pé e possuem diversos piercings do tipo “transversal” coloridos em cores aberrativas e espalhados pelo rosto, queixo, orelhas, nariz e língua. A maioria é do tipo magrelo de canela fina, acentuada pelo tamanho da bermuda e pela largura dos tênis. Esse foi um esboço de exemplar do sexo masculino. Também existem variações para o sexo feminino que não me atrevo a tentar descrever por ser bizarro demais, quase a visão do inferno. Como será que conseguem caminhar com aquelas roupas prendendo o movimento das pernas? A falta de mobilidade deve ser semelhante à das evangélicas com aquelas saias quase justas e que vão até os pés. Mas enfim, minha vontade qdo os vejo é deita-los numa cadeira de dentista, amarrar suas mãos, pés, cintura e cabeça com silvertape e arrancar aquele monte de piercings com um alicate.
Depois de conhece-los fisicamente, vamos para o lado comportamental. Calçudo só anda em grupo e são oriundos da periferia da cidade e municípios adjacentes. Já aprontaram tanto por aí (continuam aprontando) e estão tão marcados que devem borrar as calças só de pensarem na possibilidade de saírem sozinhos de casa.

Para não criar um mal entendido, deixemos claro que o simples fato de virem da periferia não constitui estereótipo de vagabundagem, mas sim suas atitudes. Continuando, os grupos andam pelas ruas com o famoso “tubão” nas mãos (refrigerante misturado com bebida alcoólica), enchendo a cara e procurando confusão. Não apenas à tarde ou à noite. São vistos nesta condição em qualquer momento do dia, inclusive durante a semana. A situação piora nos finais de semana, principalmente aos domingos, qdo a passagem de ônibus fica abaixo da metade dos outros dias. Em não raras vezes já presenciei atos de vandalismo, grupos rivais brigando pelas ruas e em outras várias já li sobre arrastões feitos pelo centro.
Não precisamos ir muito longe para encontrar exemplos: na semana passada, a RPC TV exibiu uma reportagem com imagens do circuito interno de tv sobre um grupo pixando a fachada de vidro do Memorial Curitibano no Largo da Ordem. Nem preciso dizer quem foi, né? Uma outra reportagem no mês de janeiro, desta vez exibida tbm pelo Jornal Nacional, mostrou a “brutalidade” policial em abordagem a um grupo de calçudos num município vizinho a Curitiba. Não vou entrar no mérito da questão se houve excesso ou não por parte da polícia. Se estão lá, quietinhos na deles, pode crer que estão maquinando algo. E coisa boa não é.
Preconceituoso, eu? Não, não. Escrevo o que vejo.